
21/03/2005
INTRODUÇÃO
Ao longo da minha trajetória como pesquisador e interessado pelos destinos energéticos de Angola, venho acompanhando atentamente o potencial dos nossos recursos naturais e as oportunidades que se abrem para o futuro do país.
Foi com esse olhar atento e comprometido que escrevi este artigo, no qual abordo o atual processo de avaliação das reservas de urânio existentes em Angola e as perspectivas de aproveitamento dessa riqueza mineral estratégica.
Refletindo sobre a necessidade de diversificar a matriz energética nacional, analiso também a possibilidade de inserção da energia nuclear no contexto angolano, considerando não apenas os benefícios econômicos e energéticos, mas também os desafios envolvidos em termos de formação de quadros, sustentabilidade e cooperação regional.
Ao compartilhar estas reflexões, meu intuito é fomentar o debate sobre o papel da energia nuclear em Angola, especialmente num cenário global onde o acesso a fontes seguras, limpas e eficientes de energia torna-se cada vez mais crucial para o desenvolvimento dos povos.
Angola avaliou reservas de urânio e admitiu uso de energia nuclear
A Angola está a avaliar as reservas de urânio existentes no território para poder rentabilizá-las e admite a introdução, no futuro, de energia nuclear no país, disse hoje o vice-ministro da Ciência e Tecnologia angolano.
“Angola tem grandes recursos de urânio que actualmente não estão rentabilizados”, afirmou Pedro Teta à Agência Lusa, à margem de uma conferência interministerial intitulada “A energia nuclear para o século XXI”, que decorre hoje e terça-feira em Paris.
Esta riqueza faz com que o país, que é membro da Agência Internacional para a Energia Atómica (AIEA), esteja “interessado em acompanhar o desenvolvimento da energia nuclear, apesar de ter um grande potencial de energia petrolífera e hidroeléctrica”.
A última avaliação das reservas de urânio é anterior à independência de Angola, em 1975, estando em curso uma actualização dos dados, que deverá ser obtida com a conclusão de uma “nova carta geológica de Angola em 2006”, adiantou o governante.
Nessa altura, Luanda poderá estudar a melhor forma de rentabilizar este minério, que actualmente não é vendido, mas que poderá ser comercializado se o preço aumentar, já que “existe capacidade para exportar”, garante Pedro Teta.
Uma hipótese para escoar o urânio seria a África do Sul, que possui duas centrais nucleares e é o único país do continente a desenvolver esta forma de energia.
Pedro Teta vê com bons olhos uma parceria energética, admitindo trocar urânio por electricidade, a exemplo da partilha de recursos hidroeléctricos que existe com aquele país no âmbito da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, sigla em inglês).
“No médio e longo-prazo não descartamos o uso da energia nuclear face às necessidades do país, agora que acabou a guerra”, acrescentou Pedro Teta, que defende que o país deve aproveitar para formar quadros especializados nesta área.
Na conferência, onde Angola participa enquanto país observador, estão representados 74 nações, 28 das quais ao nível ministerial, e diversas organizações internacionais.
O objectivo é fazer uma “reflexão aprofundada para preparar a nossa política energética nas próximas décadas”, tendo em conta o aumento esperado das necessidades energéticas, frisou o ministro da indústria francês, Patrick Devedjian.
França é o segundo país no mundo, a seguir aos Estados Unidos (104), com maior número de centrais nucleares (59), responsáveis por 78 por cento da energia produzida no território.
O director-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, mostrou- se consciente dos riscos que implica a produção de energia nuclear, em especial para o ambiente, mas considerou que hoje já existe segurança suficiente no tratamento de resíduos.
“A energia é o combustível do desenvolvimento e é preciso avaliar se os ganhos compensam os custos”, vincou.
“Não podemos dar-nos ao luxo de excluir nenhuma forma de energia”, acrescentou o responsável.
A AEIA, que organiza a conferência em conjunto com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), antevê um aumento da taxa de consumo de energia entre 35 e 60 por cento até 2020, caso a média de consumo dos países em desenvolvimento chegue ao nível das economias ocidentais e os prognósticos de crescimento demográfico se confirmem.
“Mesmo as estimativas mais conservadoras prevêem que o consumo de energia vai duplicar em meados do século”, avisou Baradei.
FONTE: http://noticias.uol.com.br/ultnot/lusa/2005/03/21/ult611u59031.jhtm
Comments are closed, but trackbacks and pingbacks are open.